Primeira infância: o que é e qual a sua importância para o desenvolvimento da criança

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A primeira infância é uma etapa muito importante para o desenvolvimento pleno da criança. Ela corresponde ao período entre a gestação e os primeiros seis anos de vida e as experiências vividas nessa fase vão ficar marcadas pelo resto da vida da criança, mesmo aquelas que ocorrem quando o bebê ainda é pequeno e não tem a memória apurada dos fatos que acontecem à sua falta.

Durante essa fase, a criança passa por processos de desenvolvimento muito importantes, como o crescimento físico, o amadurecimento do cérebro, a aquisição de movimentos, o desenvolvimento da capacidade de aprendizado e a iniciação do convívio social e afetivo. Todos esses processos são influenciados pela realidade em que essa criança está inserida e podem ser prejudicados por determinadas situações. Uma criança que passa por dificuldades relacionadas a alimentação pode não ter um crescimento dentro do esperado. Já uma criança que vive em um ambiente onde não se conversa com ela pode ter o aprendizado da fala prejudicado.

Vários estudos já comprovaram que quando a criança está em um ambiente onde as condições para o desenvolvimento são boas, maiores são as probabilidades dela alcançar o melhor do seu potencial e se tornar um adulto mais equilibrado, produtivo e realizado. Ou seja, as condições a que as crianças são expostas na primeira infância são extremamente importante para o desenvolvimento de habilidades pelo resto de sua vida, inclusive quando ela já é adulta.

Estudos realizados nessa fase também mostraram que o cérebro do bebê é duas vezes mais ativo do que o de um adulto. Para dar conta dessa atividade cerebral, 75% da energia do corpo nessa fase é usada para o desenvolvimento neurológico. Também durante esse período, os neurônios formam de 700 a mil novas conexões por segundo. O resultado disso é visto no crescimento da criança: até os 3 anos de idade, o cérebro atinge 87% do tamanho que terá no futuro.

Contudo, para que esse desenvolvimento ocorra, os bebês precisam de estímulos externos. Palavras, canções, afeto e proteção contam para que o cérebro possa alcançar todo o seu potencial de desenvolvimento, absorvendo tudo o que está ao redor. Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cerca de 30% das crianças do mundo não atingem sua plena capacidade por falta de incentivo.

A educação que é dada às crianças na escola durante esse período também é muito importante para seu desenvolvimento. É necessário que se tenham professores preparados para lidar com crianças que venham de todos os tipos de ambientes, principalmente aqueles mais vulneráveis, e que possam suprir as faltas que essas crianças podem encontrar dentro de casa. Todos os aspectos do ambiente escolar são essenciais, desde a comida dada à criança até as brincadeiras e atividades escolhidas.

Em 2015, somente 25,6%* das crianças brasileiras com menos de 4 anos estavam matriculadas em creches ou escolas. Isso significa que cerca de 7,7 milhões de crianças não frequentavam esse tipo de estabelecimento. O numero é muito baixo e mostra um desafio para o país, que ainda falha em oferecer vagas em escolas e creches públicas de qualidade.

O Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em 2014, tem como primeira meta a universalização da educação infantil na pré-escola para crianças de 4 a 5 anos até 2016 e a ampliação da oferta de educação em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até 2024.

*Dados retirados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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