Brasil ainda dá primeiro passos em políticas voltadas para a primeira infância

Brasil ainda dá primeiro passos em políticas voltadas para a primeira infância

 

O Brasil ainda está iniciando a caminhada na direção de políticas públicas eficazes para a primeira infância, que é o período entre a gestação e os primeiros seis anos de vida da criança. Temos 10,3 milhões de crianças com menos de 4 anos, sendo que 16% delas vivem em casa sem água potável e 23%, sem coleta de esgoto. Na faixa de 0 a 3 anos, só um terço das crianças tem acesso à creche.

Além disso, não há garantia de qualidade nessas creches. Um estudo realizado pela Fundação Carlos Chagas, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento deu nota 3,3 (de 0 a 10) para a qualidade de 150 creches em Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina.

Dados revelados pela ONG Todos Pela Educação mostram que apenas 44% das crianças estão capacitadas para a leitura no terceiro ano do ensino fundamental. Isso mostra um problema na educação infantil, que prejudica toda a vida escolar das crianças e sua vida adulta. Estudos mostram que investir nos primeiros anos de vida traz um alto retorno social e econômico, porém, no Brasil, esse investimento ainda é muito tímido.

Em outubro de 2016, o Governo Federal lançou um programa de abrangência nacional chamado “Criança Feliz”, que prevê o treinamento de agentes para visitas às famílias, estimulando as crianças e apoiando os pais em brincadeiras, leituras e no contato com os filhos. O orçamento inicial do projeto foi de 300 milhões de reais e, em 600 municípios de 20 estados que aderiram ao programa, as visitas já estão acontecendo. A previsão é alcançar 1.000 cidades até dezembro, mas ainda é muito pouco.

O programa “Criança Feliz” é uma aposta do governo para a diminuição da desigualdade social no Brasil. Segundo o Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, “para reduzir a desigualdade, é preciso algo que ajude as crianças a se prepararem para a vida escolar, a ter um emprego melhor e uma renda maior”.

Estudos internacionais já provaram que as crianças de famílias mais pobres estão em desvantagem se comparadas àquelas de famílias com melhores condições. Esses estudos mostram que, aos 3 anos de idade, o vocabulário das crianças de baixa renda é apenas 45% do das crianças de famílias de alta renda. Isso porque, por hora, elas ouvem uma quantidade de palavras, em média, um terço menor.

Para especialistas, o modelo de visitas às residências das famílias, assim como o do “Criança Feliz”, é muito vantajoso para melhorar o desenvolvimento das crianças durante a primeira infância, já que permite o contato com aquelas crianças que não vão às creches, além de possibilitar a superação de desafios culturais. No Brasil, uma pesquisa realizada com 990 famílias de todas as faixas de renda mostrou que os pais desconhecem a importância de se falar com as crianças. O estudo, realizado pelo Ibope, a pedido da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, revelou que somente 10% dos pais acreditam que conversar com as crianças está entre os fatores mais importantes para o desenvolvimento delas.

Esses dados mostram a importância desses programas e de ações de conscientização, já que a maneira como a criança é criada na primeira infância afeta seu desenvolvimento para a vida inteira. Ainda é necessário o fortalecimento e a ampliação das políticas públicas voltadas para essa fase da vida, porém, a criação do programa “Criança Feliz” já é um pequeno avanço.

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