Encerramento do projeto “Tô Grávida, e agora?” foi um sucesso

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Nesta terça, 05 de dezembro, aconteceu a atividade de encerramento do projeto “Tô Grávida, e agora?”, no auditório do Centro Socioeducativo, na Lapa. Durante o evento, foi feita a abertura da exposição de fotos “Bastidores” e a exibição do vídeo feito com as jovens, seguido por uma roda de conversa sobre a gravidez e as dificuldades enfrentadas pelas meninas durante todo o processo, com as mesmas contando suas experiências.

O projeto “Tô grávida, e agora?” foi desenvolvido a partir de uma parceria entre o Centro Internacional de Estudos e Pesquisas Sobre a Infância (CIESPI/Puc-Rio) e a São Martinho. Durante a realização do projeto, eram feitas reuniões com um grupo de jovens mães em contexto de vulnerabilidade social, com o objetivo de conversar sobre suas experiências de gravidez e maternidade. Através de oficinas, foi possível escutar suas demandas, disponibilizar informações relevantes para elas e pensar estratégias para melhorar o acesso a direitos e aos cuidados em saúde.

“O projeto foi extremamente positivo, porque como a gente trabalha pensando políticas públicas para crianças e adolescentes, em especial os que estão em situação de rua ou em contexto de vulnerabilidade, o tema da maternidade em situações de risco sempre está presente nos debates e nas demandas de ação, com uma certa prioridade. Então já era um desejo nosso estar mais próximos desse tema e os projetos realizados em parceria com a São Martinho foram muito frutíferos nesse sentido”, declarou Juliana Bastituta, assistente social do CIESPI.

Sobre a realização do projeto, Juliana explicou: “a primeira etapa do ‘Tô grávida, e agora?’ no ano passado foi com um primeiro vídeo, fruto de um projeto piloto, com a participação de duas adolescentes e nessa segunda etapa, em 2017, foi um pouco ampliado e ao longo de três meses a gente fez as oficinas de direitos e cuidados em saúde. A gente começou com um grupo menor, mas foi muito interessante ver o efeito de multiplicação das próprias participantes, que foram trazendo suas vizinhas, suas amigas, suas primas e isso formou uma rede de elos muito estável. A gente pode perceber o aprofundamento delas entre si, mas também estabelecendo um vínculo conosco, com a equipe que produziu os trabalhos”.

“O projeto é importante porque ele decidiu trabalhar com o recorte das adolescentes que estão grávidas e correm o risco de perder a guarda de seus filhos por causa das políticas públicas. Como são jovens em situação de rua, as políticas públicas do Rio de Janeiro são muito ineficazes. A gente vem visualizando muitas violações dos direitos humanos de crianças e adolescentes tanto dessas meninas, quanto dos seus filhos e esse projeto vem na contramão desse processo, uma vez que quer ajudar elas, fazes com que compreendam seus direitos sociais, seus direitos de saúde. A partir da compreensão desses direitos, elas estando mais conscientes, elas podem se proteger com mais facilidade”, destaca Diego de Bem, assistente social da São Martinho.

Para a professora Irene Rizzini, diretora do CIESPI, o projeto em parceria com a São Martinho “tem sido da maior importância, porque estamos vendo que as meninas e os meninos estão pensando sobre essa questão da gravidez de uma forma diferente, sobre a maternidade e a responsabilidade da  mãe e do pai, não só da menina, de todos se cuidarem, do cuidado com os bebês e questões mais delicadas, como o uso de drogas, a vida nas ruas e as doenças sexualmente transmissíveis. Nós estamos apostando muito que esse projeto vai ser uma base de apoio forte, maior ainda do que a São Martinho já tem, para esse grupo tão específico que precisa de ajuda”.

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